SAUDAÇÕES

Segurança Pública Sustentável sugere uma nova abordagem sobre os problemas sociais, econômicos e ambientais sob a ótica da Segurança Pública. Pressupõe assunção de um diferenciado conjunto de valores e crenças capazes de despertar a consciência social e cidadã para ações, atitudes e comportamentos pró-ativos e auto-sustentáveis, seguindo um modelo de gestão participativa dos problemas sociais.

Segurança Pública Sustentável deve ser compreendido como um processo sistêmico orientado por constantes e contínuas ações de bases sustentáveis, da qual fazem parte setores públicos e privados, sociedade civil e cidadão com vistas a manter, prevenir, reduzir e suprir, de forma integrada, as demandas relativas a Segurança Pública, sem contudo, comprometer ou violar os direitos humanos, e os direitos e garantias fundamentais. (Altair Lisot)

Frase do dia:

"OS GOVERNOS PASSAM, AS SOCIEDADES MORREM, A POLÍCIA É ETERNA". (HONORÉ DE BALZAC)

domingo, 27 de novembro de 2011

O CAMINHO DA INTEGRAÇÃO

A segurança pública no Brasil e no mundo carece de uma atenção especial. Sem segurança, não somente a qualidade de vida das populações está comprometida, mas também todo processo de desenvolvimento econômico e social sustentável. Sem segurança pública não existe sociedade, não persistem direitos e não há projeção de um futuro realmente viável e promissor.

A Constituição Federal de 1988, em seu art. 144 dispõe que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos ...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"EXPRESSÃO DE UMA MARCA"

Depois de um certo tempo é importante olharmos para trás (e aqui eu me reporto especialmente aos gestores públicos em geral) e analisar seriamente como se encontra a atual imagem de nossas Instituições Públicas. É importante também tomar conhecimento de como estas instituições são vistas, são percebidas, qual a credibilidade e confiabilidade que ainda desfrutam socialmente. Depois de um tempo é tempo de rever como está a "MARCA" de nossas instituições. 

Segundo o Instituto Nacional de Propriedade Industrial[1], "marca", de acordo com a lei brasileira “é todo sinal...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"BOAS PRÁTICAS" NA ÁREA DA SEGURANÇA PÚBLICA


Recentemente, o termo "boas práticas" tem sido muito difundido por inúmeras organizações e por profissionais de diferentes setores da sociedade representantes do setor público, da iniciativa privada e demais organizações da sociedade civil. O termo é uma expressão derivada do inglês “best pratices”, ou seja, significa as melhores técnicas para realização de uma tarefa.


É notável que as boas práticas dentro das organizações tornem-se cada dia mais comum e representam um poderoso diferencial. As organizações não podem mais deixar de investir na formação, capacitação e valorização de seus profissionais. E isso significa inovação constante. Uma organização que não inova é uma organização ausente, ou, quando presente não se mostra suficientemente confiável. A inexistência de boas práticas organizacionais é característica de organizações que resistem em inovar e que não fomentam o espírito criativo em seus profissionais. 

As "boas práticas", de um modo geral, orientam as organizações e seus profissionais a perseguirem seus objetivos, suas metas, à missão da qual estão incumbidos. As boas práticas remontam um conjunto de técnicas, valores e princípios éticos e profissionais, que associados à cultura da organização têm o condão de potencializar a capacidade produtiva e a atuação de seus respectivos profissionais.

Como percebemos as organizações responsáveis diretamente pela segurança pública no Brasil, diante ao atual contexto e dinâmica social da violência de da criminalidade, necessitam urgentemente desenvolver novas habilidades, despertar novos interesses e direcionar as vocações de seus profissionais de modo a obterem os melhores resultados.  

Para tanto, vejo que o desenvolvimento de boas práticas nas organizações policiais militares brasileiras, no âmbito de cada órgão, setor ou departamento, representa não somente a perspectiva de uma segurança pública melhor e mais efetiva, mas, sobretudo, uma Polícia Ostensiva e de Preservação da Ordem Pública mais respeitada e mais confiável. 

Institucionalizar uma política de boas práticas e alinha-las à Estratégia Organizacional representa um avanço significativo em busca da excelência profissional, além, é claro, de criar um ambiente organizacional produtivo e saudável apto também a motivar a todos a cultivar e consolidar às tradições militares, dentro de um ambiente de cooperação que construa a unidade institucional.

Nesse sentido, cabe às instituições policiais militares criar o espaço e a abertura necessária para que o Policial Militar eleve seu nível de pró-atividade, interdependência e autonomia mostrando-se um profissional entusiasta e motivado para o serviço policial militar.

Então é uma boa hora para nos perguntarmos:

Como as organizações e/ou órgãos que compõe o Sistema de Segurança Pública no Brasil estão valorizando seus profissionais e as "boas Práticas sobre Segurança Pública"?

Como cada Estado, no âmbito das Secretarias do Estado e Segurança Pública  tem percebido e valorizado as "boas práticas" dentro das políticas  de segurança pública?

No âmbito interno das Polícia Militares brasileiras, temos exemplos de "boas práticas", bem como uma cultura de valorização do ambiente laboral e organizacional para que isso aconteça?

Os Oficiais Policiais Militares responsáveis pela gestão, chefia, direção e administração dos recursos humanos, materiais e financeiros, através de suas ações e posturas podem ser considerados, em relação aos seus subordinados, exemplos de BOAS PRÁTICAS?

Por fim, em que pese destacados esforços principiados por inúmeros Comandantes Gerais das Polícias Militares nos Estados em demonstração de comprometimento e responsabilidade pela causa Polícia Militar, será que o corpo de Oficiais, em seus respectivos comandos e funções abraçaram, de igual modo, a mesma causa, motivando seus policiais a desenvolver iniciativas empreendedoras, proativas e com criatividade?

Essas perguntas introduzem muito mais do que simples dúvidas e anseios. É tempo de nos questionarmos; de avaliar nossas ações e nossa postura profissional enquanto gestores de rotinas, de processos, de procedimentos administrativos e operacionais; de repensarmos a despeito de nosso nível de comprometimento enquanto gestores de pessoas e de nosso senso de responsabilidade enquanto gestores de recursos públicos. 

Essas perguntas nos incitam, especialmente, à reflexão sobre a forma pela qual estamos conduzindo e administrando nossas corporações. Essas perguntas expressam, antes de tudo, um apelo à valorização do profissional Policial Militar como elemento organizacional e agente de transformação social de fundamental importância, a ponto de justificar todo e qualquer Programa, Política e Ações para melhoria da segurança pública, porventura estreadas por Governos, políticos, gestores públicos e principalmente pelas organizações policias militares no Brasil. 

Pensemos nisso! 

sexta-feira, 24 de junho de 2011

BALANÇO SOCIAL CORPORATIVO NO ÂMBITO DA SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRA: UMA QUESTÃO DE COMPROMISSO, TRANSPARÊNCIA E DE RESPONSABILIDADE SOCIAL.

Antes de abordar o tema em epígrafe, é importante relembrar - principalmente para que não percamos de vista - que a ideia central do presente blog é a de fomentar uma nova visão na forma de pensar e fazer segurança pública, ou seja, com sustentabilidade. 

E isso é tão expressivo que se faz relevante escrever breves considerações sobre o que vem a ser o "Balanço Social Corporativo" ou "Relatório Social de Sustentabilidade" e qual sua contribuição para a sustentabilidade das ações que visam a melhoria na qualidade de segurança em nossas comunidades.

É fato! Ao discorrermos sobre o atual quadro de violência e de criminalidade que assola nosso país, especialmente algumas cidades e Estados brasileiros percebemos que a segurança pública necessita de medidas urgentes, porém, não impensadas ou desprovidas de um pensamento sistêmico. Precisamos urgentemente trilhar o caminho certo. E o caminho certo, em minha singela análise, perpassa por ações de cunho sustentável e que concite a participação cidadã. E o tema em análise mostra-se extremamente importante. 

Nós cidadãos precisamos desenvolver a compreensão de que estamos com significativo débito com o social, com o coletivo. Não podemos mais nos furtar em deixar nossa contribuição de promover a segurança na comunidade em vivemos e assim colaborar mais ativamente com os órgãos responsáveis para efetivar a segurança pública no país.

Mas para que essa participação se concretize, com alto nível de responsabilidade e comprometimento de todos, é importante que as instituições responsáveis pela segurança pública, através de seus gestores institucionais avoquem, deliberada e definitivamente, as responsabilidades de fazer uso consciente e transparente de mecanismos e ferramenta de gestão moderna, inovadores e ousados.

É nesse contexto que trago à análise, no âmbito das Instituições que compõe o Sistema de Segurança Pública brasileiro, a ideia já bem desenvolvida sobre "Balanço Social Corporativo" ou "Relatório Social de Sustentabilidade", ou ainda, "Responsabilidade Social Corporativa".

Essas e outras expressões análogas são comumente empregadas por organizações que se destacam pela gestão de suas responsabilidades sociais e, designa, segundo Oliveira (2008), o arcabouço de material informativo institucional sobre a situação da organização a despeito das questões sociais e ambientais.

De um modo geral, o "Balanço Social Corporativo" é um meio, um mecanismo, uma ferramenta organizacional moderna apta a dar transparência às atividades desenvolvidas por uma corporação. Mais do que isso, o Balanço Social Corporativo proporciona maior diálogo e aproximação da organização com a sociedade. Isso significa que a organização entende a importância de sua missão frente as comunidades, bem como sua contribuição para o desenvolvimento social sustentável.

Responsabilidade e transparência organizacional são elementos chaves para as organizações do futuro. No que concerne as instituições públicas isto é mais verdadeiro ainda, posto que estas têm o dever de bem informar e prestar contas sobre o seu desempenho, o uso, investimento e gestão do dinheiro público. E isso implica, inevitavelmente, na melhoria, ou não, da imagem da instituição frente a sociedade.

Então, é muito importante nos perguntarmos: as instituições que compõe o Sistema de Segurança Pública no Brasil, de acordo com o art. 144 da CF, estão realizando e divulgando alguma espécie de "Balanço Social Corporativo"? Qual é o nosso atual "Balanço Social ou Relatório Social Sustentável”? É um “balanço” positivo ou negativo? Há uma efetiva preocupação por parte dos gestores institucionais de tornar público o que suas instituições estão realizando para a melhoria da segurança pública brasileira? 

E mais: o cidadão sabe qual é o quantum do orçamento financeiro anual que cada órgão recebe, qual é a origem das verbas e dos investimentos realizados, e a forma como tudo está sendo investido e/ou aplicado? Quais são os indicadores de produtividade e desempenho funcional, tanto dos gestores quanto de seus colaboradores na consecução de suas competências e atribuições? Quais as implicações e os reflexos que a divulgação de "Balanço Social ou Relatório Social de Sustentabilidade" pode ocasionar para essas instituições? 

São apenas algumas perguntas, mas tenho certeza que o leitor tem inúmeras outras que vem à mente nesse momento. E não é de se surpreender. De repente começamos a perceber o quanto que nossas instituições estão em débitos com a sociedade. Percebemos como estamos fechados e enclausurados dentro dos muros de nossos quartéis, delegacias e demais unidades policiais e prisionais, das quais somente saímos para darmos continuidade àquilo que sabemos fazer tão bem, ou seja, agir repressivamente.

Um Balanço, um Relatório social de nossas instituições responsáveis pela segurança pública no Brasil revelaria uma realidade que nem todos estão preparados para conhecer e principalmente para abordar a questão de modo adequado. Tudo é uma questão de transparência e é importante que pensemos nisso. É fundamental que todos os gestores institucionais se conscientizem que a responsabilidade social começa com a transparência organizacional. 

A divulgação periódica de algum modelo de balanço social sobre as atividades que nossas instituições de segurança pública estão realizando, além de demonstrar transparência constituirá uma quebra de paradigma e um importante passo rumo a uma segurança pública de princípios sustentáveis. Significa, sobretudo, estabelecer uma nova proposta de diálogo com os diferentes atores sociais. 

Essa proposta deveria contemplar a missão designada por nossa Constituição Federal a cada órgão que compõe nosso atual sistema de segurança pública no Brasil. A par disso, cada órgão compartilharia suas principais linhas estratégicas de atuação, as políticas de recursos humanos, os programas e projetos sociais para repressão e prevenção à violência e ao crime. De igual modo, compartilharia as dificuldades administrativas e operacionais, os entraves políticos e a escassez de recursos financeiros que dificultam ou impedem a concretização de muito dos objetivos e metas propostas. 

Tal nível institucional de transparência é, sobretudo, demonstração de responsabilidade institucional perante a sociedade, a qual tem o direito de receber periodicamente informações sobre quem são os gestores, como estes estão gerindo o capital humano e financeiro na melhoria da segurança pública. Ademais, a sociedade também tem o direito de tomar conhecimento de como estes profissionais estão exercendo o poder e da autoridade por ela concedida, que se materializa nos cargos que ocupam.

Em fim, é importante que percebamos que a sociedade é quem garante a legitimidade da ação policial e demais práticas levadas a efeito por todos os órgãos da segurança pública. Estes devem considera-la com mais atenção, especialmente pelo fato de serem instituições públicas por excelência, e que sobre estas irradia a luz dos princípios da Administração Pública, onde encontramos a legalidade como regra, a impessoalidade como exemplo de comprometimento, a moralidade como norteadora da conduta pública, a publicidade como exemplo de transparência dos atos daqueles que representam a administração e, por fim, a eficiência como exemplo de qualidade, produtividade e da excelência funcional e profissional.

Não é por outro motivo que o "Balanço Social Corporativo", em curta análise, é um poderoso instrumento de gestão das responsabilidades sociais não só das instituições privadas, as quais estão despertando para importância de tal ferramenta, mas especialmente das instituições públicas, as quais tem o dever de prestar um serviço de excelência aos seus administrados.

Toda organização, pública ou privada deve urgentemente informar-se de como produzir um “Balanço de Sustentabilidade Social” – uma espécie de Raio-X de sua imagem e aceitabilidade social. No que tange aos órgãos de segurança pública isto é ainda mais urgente, pois é o balanço social da corporação que norteará e confirmará se os indicadores de desempenho, se os objetivos e as estratégias institucionais estão sendo eficientes ou não. E mais, tal balanço acrescentará responsabilidade, credibilidade e transparência à imagem institucional, tornando todas ações mais sustentáveis e mais efetivas.

domingo, 12 de junho de 2011

O NOVO CARÁTER DO CONFLITO E O CONCEITO DE INIMIGO NO ÂMBITO DAS POLÍCIAS MILITARES



O passado nos mostra que a evolução do ser humano é marcado de intensos e constantes conflitos individuais, grupais e entre nações. Seja pela ótica da sobrevivência, seja no plano da evolução, o conflito representa, em última análise, o principal e mais importante mecanismo de desenvolvimento humano.
É inevitável: O desenvolvimento social gera inúmeros, constantes e diferentes conflitos diariamente. As causas, assim como as consequências são as mais variadas possíveis. Distante de um adequado entendimento e compreensão das verdadeiras origens dos conflitos, o cidadão, as comunidades, as organizações, as instituições públicas e a sociedade de um modo geral seguem sem percebê-los e sem aborda-los com a devida atenção.
Contudo, é importante nos perguntarmos: Qual é o atual conceito de conflito aceito socialmente? Qual o caráter social e individual que o conflito assume em nosso meio? e mais, como a dinâmica dos conflitos na atualidade interfere na percepção e formação do conceito de "inimigo" frente a sociedade e às instituições policiais no pais?
Pois bem! Um primeiro conceito de conflito, poder ser resumido como um processo de desentendimento entre duas ou mais pessoas sobre um tema de interesse comum. Um segundo conceito, mais extensivo, portanto, o conflito poder ser considerado toda circunstancia que assume um caráter de violência potencial contra um individuo, um grupo de indivíduos de acordo com o fato que o origina ou com o objeto em análise.
A existência de um conflito não representa necessariamente um problema. A forma como o tratamos é que o torna um problema-potencial. A dificuldade com que cada um de nós - enquanto cidadãos e pertencentes a um determinado grupo social - têm percebido e tratado os conflitos é uma questão muito séria e deve ser revista.
Neste meio, é importante incluir as instituições públicas formais, especialmente as instituições responsáveis pela segurança pública, e as privadas – entidades informais, que por sua natureza ou pelo senso de responsabilidade social, exercem substancial contribuição para a pacificação dos conflitos e manutenção da paz social.
É importante perceber, que de um modo geral, os conflitos são a força motriz de toda ordem de violência e da criminalidade em nosso meio. Mas é importante também perceber que é impossível vivermos livres de conflitos e isso nos obriga aceita-los e percebê-los como um processo natural de desenvolvimento pessoal e também social.
Existem conflitos políticos, judiciais, educacionais, culturais, de valores, conflitos originados pela falta de politicas públicas de educação, saúde, habitação, segurança, em fim, toda área ou setor social apresentam conflitos, divergindo unicamente o nível de complexidade e os atores que neles podem atuar.
Contudo, há que se destacar que o imaginário social tem desenvolvido uma visão distorcida e negativa do conflito. O problema não esta necessariamente no conflito, mas na resposta que ofertamos ao mesmo, que pode ser positiva ou negativa, construtiva ou destrutiva.
Essa distorção tem confundido a percepção do cidadão que tem tratado o conflito como sinônimo de agressão, de briga e que quase invariavelmente tem que acabar no judiciário, o que tem gerando toda sorte de infortúnio, desentendimento e desagregação nos âmbitos pessoal, familiar e social.
Atrelado a esta má percepção sobre a normalidade do conflito e sua influência para o desenvolvimento social, alarga-se o sentido de hostilidade entre indivíduos, nascendo assim uma forte anuência atrelada à expressão de "inimigo".
Esta expressão, por sua vez, passa a representar uma completa anulação do outro enquanto ser de direito, recebendo o estigma de alguém que deve ser punido e extirpado do meio social.
Logo, o caráter social e pedagógico do conflito passa a ter um significado associado ao conceito de “inimigo”, assim considerado todo aquele que confronta, inobserva e descumpre o ordenamento jurídico, que vilipendiam os direitos e garantias, que desconsidera valores e princípios morais e éticos. O suposto inimigo perde sua condição de cidadão e é colocado à margem de tudo e de todos.
Porém, em tempos que se busca a pacificação social, o respeito aos direitos e garantias fundamentais, segundo nosso Estado Democrático e de Direito e aos Direitos Humanos, de acordo com as convenções internacionais, há que se questionar quanto ao emprego, não só da expressão usual e inconscientemente aceita por nós de “inimigo”, mas especialmente das consequências que desencadeamos através de seu uso.
No que tange, especificamente, as atividades desenvolvidas pelas Polícias Militares brasileiras, as questões relacionadas aos conflitos sociais e a percepção do outro enquanto inimigo, mostra-se ainda mais crítica. Isso é especialmente notável ao analisarmos que há décadas tenta-se implantar a “filosofia de Polícia Comunitária”.
A meu ver, o termo “Polícia Comunitária” está mais associado à atividade de Policiamento Comunitário, posto que este realça ações e posturas que denotam aproximação dos policiais com a comunidade. Mas para isso precisamos descontruir o estigma de “confronto com inimigo” tão impregnado em nossa cultura de policiamento que é bem presente em nossa memoria, em nossa modelo de policiamento.
E disso ninguém duvida, pois a atuação policial contemporânea parece mais uma exercício de guerra contra inimigos do que uma atividade estrategicamente estabelecida através de políticas e programas em consonância com os princípios inerentes da filosofia comunitária que se pretende implantar.
Não estou afirmando que as Polícias Militares não devem agir energicamente quando em extrema necessidade repressiva. A questão é que a exceção esta virando regra, e atuar comunitariamente, com menos “operacionalidade” hoje é visto, não raro, como sinônimo de fraqueza por uma grande maioria de policiais.
Precisamos reestabelecer urgentemente a confiança mútua através de um forte elo do policial com o cidadão, com a comunidade. O policial é um importante parceiro comunitário, um poderoso agente de transformação e o principal agente mediador de conflitos, por vezes o único que representa o Estado em muitas comunidades. Daí a importância de valorizar e o potencializarmos através de conhecimento e técnicas, sempre ressaltado suas habilidades e vocações profissionais.
Mas o Policial Militar, as Polícias Militares brasileiras encontram-se abandonadas. O complexo sistema social de preservação da ordem pública parece envolver unicamente as instituições policiais militares, talvez pela forte capilaridade que estas apresentam socialmente.
Porém, o complexo sistema social deveria envolver de modo mais efetivo demais órgãos a exemplo do Poder Judiciário, o MP, as administrações prisionais, defensorias públicas, assistências sociais e psicológicas, saúde, educação, e ao mesmo tempo estabelecendo fortes parcerias com a iniciativa privada, instituições de ensino, entidades sem fins lucrativos, empresas, e toda sorte de instituições informais para garantir os direitos sociais e individuais que a constituição garante ao cidadão.
Nada sobrevive ou se desenvolve por muito tempo sem segurança. E o nível de insegurança gerado pela violência e a criminalidade tende a ser proporcional a participação de cada cidadão no processo de solução dos conflitos de que participa ou nos quais pode influir positivamente. 
Isto implica aceitar o fato de que precisamos estabelecer um novo paradigma a despeito de como tratamos e abordamos os diferentes conflitos sociais, independentemente de sua origem ou de seus atores. Significa percebermos que é relativamente normal e por vezes inevitável a insurgência de conflitos em nosso meio, em nosso grupo familiar, social, e profissional. 
Portanto, as Polícias Militares brasileiras e os demais órgãos responsáveis pela segurança pública devem despir-se da figura do "inimigo" em pról de uma abertura mais eclética e construtivista na resolução de conflitos quando da consecução das atividades de segurança pública. 
Adotar nova postura e administrar de modo eficiente os conflitos inerentes à vida em sociedade requer um maior esforço de todos. Nesse aspecto, também o cidadão não deve enxergar seu próximo como "inimigo" por ocasião de prática criminosa. Antes, deve entender o potencial contexto gerador das mazelas sociais e se incluir como cidadão ativo, influenciando positivamente para resolver de modo pacífico os conflitos em seu meio familiar e social, posto que tal mister não é atribuição exclusiva do Estado.
Os métodos de resolução pacífica de conflitos, considerados de amplo alcance social, propõe-se à desconstrução de conflitos atuais e potencias, bem como a restauração das relações e de um convívio pacífico entre as pessoas, ao passo que permite a estas a co-construção de soluções alternativas dos conflitos e a sua desjudicialização. Mas este é um tema que trabalharemos numa próxima abordagem.
Um forte abraço!